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Folha de Pernambuco ouve Carlos Valle sobre Lei Seca e preço de seguro de carro


Fonte: Folha de Pernambuco, Economia

Em sua edição de ontem (21/06), a Folha de Pernambuco ouve o presidente do Sincor-PE, Carlos Valle, sobre uma possível redução do valor do seguro de carros, como resultado da maior fiscalização ao cumprimento da Lei Seca. Leia abaixo a íntegra da matéria.

Preço de seguro de carro não cai com Lei Seca
Após um ano em vigor, medida não chega ao bolso do motorista
Luciana Morosini

A notícia não é boa. A expectativa de que a Lei Seca, em vigor desde 20 de junho de 2008, ajudaria a reduzir o valor do seguro de automóvel, em consequência da queda do número de acidentes, não se concretizou. Um ano após a medida passar a valer, a constatação é que o preço dos seguros automotivos continuam os mesmos praticados naquela época.

"O processo é lento, a resposta não seria tão rápida. Principalmente porque o seguro é calculado para um ano e as empresas precisam ter cuidado para não assumir a responsabilidade por um bem durante todo esse período sem ter certeza da perenidade da medida", disse o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros e Empresas Corretoras de Seguros de Todos os Ramos, de Capitalização e de Previdência Privada no Estado de Pernambuco (Sincor-PE), Carlos Valle.

Ele acredita que a Lei Seca foi importante para diminuir o número de vítimas, mas não os acidentes em si. "Não houve queda por conta da bebida e, por isso, não interferiu no preço dos seguros. Se o seguro gasta menos, vende por menos, mas isso não está acontecendo porque os danos nos carros, mesmo que menores, continuam acontecendo", ressaltou.

O estudante Daniel Cavalcanti paga R$ 1,7 mil no seguro do seu carro Ômega 1998 e esperava que o preço baixasse depois da Lei Seca. "O valor deve ser compatível com o cliente e, com a medida, todos apresentam menos riscos. Por isso o preço deveria baixar", disse. Mas, prestes a fazer a renovação, ele se deu conta que o valor continua o mesmo. "Geralmente divido entre seis e dez parcelas. Se baixasse um pouquinho, daria para pagar em menos vezes", completou.

Para Carlos Valle, existem dois meios para reduzir o valor dos seguros de automóveis, mas, em ambos os casos, a Lei Seca não está envolvida. A primeira delas é fazer uma campanha de educação no trânsito. A segunda é através da concorrência das seguradoras. "Essa questão é importante porque, além de deixar o mercado saudável, mantém o preço justo", concluiu.

Números

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o número de acidentes entre 20 de junho de 2008 e 16 de junho deste ano foi de 5.406, contra 5.081 entre 20 de junho de 2007 e 19 de junho de 2008. Entre um ano e outro, o número de feridos cresceu 6,6%, o de mortos, 7,2%, e o de autuações, 240%. Segundo a PRF, o crescimento é natural por conta do aumento da frota. E, apesar do incremento, os números vêm apresentando desaceleração, já que em 2008, apesar de positivo, o índice de acidentes, feridos e mortos foi menor que em 2007.


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