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Fonte: Monitor Mercantil
A vez da baixa renda está chegando
CVG-RJ defende presença de agente de seguros com a devida certificação
A criação da figura do agente em seguro é uma das bandeiras que o Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ) carregará para fortalecer, no Brasil, o desenvolvimento do microseguro. A proposta foi apresentada pelo presidente eleito da entidade para o biênio 2009/2011, Lúcio Marques, durante almoço com jornalistas. Como justificativa, lembrou que, com o efetivo início dos seguros para a população de baixa renda em 2010, a figura do "agenciador" estaria capacitada para vender microsseguros em suas comunidades.
Segundo explicou, a proposta não fere o Decreto Lei nº 73 que estabelece, apenas para o corretor, o pagamento da corretagem. "A criação da figura do agente servirá para oxigenar apólices antigas e maior atuação no microsseguro", ressaltou. Serão pessoas atuando em seus próprios locais de moradia como "agenciadores" e não como corretores, desde que passem por uma preparação rápida na Escola Nacional de Seguros (Funenseg). O CVG-RJ já tem programados 12 cursos elaborados especialmente para atender às necessidades de informação da mão-de-obra especializada em Pessoas do mercado.
Certificação técnica
O CVG-RJ pretende apresentar aos órgãos de regulamentação de representação do mercado sugestões que possam aprimorar o Decreto-Lei nº 73, que prevê que a venda de seguros seja atividade exclusiva dos corretores: "Vamos preservar esta reserva merecida dos corretores de seguros, mas pretendemos estimular a certificação técnica, que seriam cursos de pequena duração, de até dois meses, feitos pela Escola Nacional de Seguros para formar angariadores de seguros de vida, conforme já existe em outros países. A chegada do microsseguro ao país, que já está sendo estudada pelos poderes do mercado, seria uma boa oportunidade para que isso ocorra. Na Índia, as lideranças das comunidades são treinadas para isso e o seguro se propagou em larga escala", acrescentou.
Segundo o presidente do CVG-RJ, com a entrada do microsseguro e do microcrédito "temos que ter uma revolução nessa área". Destacou que, atualmente, o seguro de vida alcança aproximadamente 16% da população economicamente ativa no Brasil, pouco se comparado com países como o México, onde o percentual é de 50%.
Lúcio Marques lembrou que existe um projeto de lei do deputado Adilson Soares (PR-RJ), em tramitação no Congresso desde o ano passado que cria o microsseguro. De acordo com a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg), esse projeto vai incorporar as propostas do relatório final da Comissão Consultiva de Microsseguros do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e tem apoio do governo para ter sua tramitação acelerada de forma a que o microsseguro possa ser oferecido já no primeiro semestre de 2010.
Marques também disse que o crescimento da expectativa de vida na população brasileira coloca desafios para o setor de seguros. Ele informou que atualmente não é possível fazer seguro de vida para pessoas com mais de 80 anos, mas que o setor deve pensar nisso. "Em 2050, três milhões de pessoas terão mais de 100 anos", afirmou.
Ao considerar que apenas 16% da população brasileira têm seguro de pessoas, Lucio Marques diz que ainda há muito para crescer. "Nos Estados Unidos se produz US$ 600 bilhões na área de Pessoas; na Ásia e na Europa temos US$ 750 bilhões e na América Latina são apenas US$ 23 bilhões sendo que, dessa quantia, US$ 12 bilhões são produzidos no Brasil."
Na sua opinião, o país possui mais de 189 milhões de habitantes e a qualidade de vida melhorou muito nos últimos anos, o que projeta uma expectativa de vida do brasileiro para 72 anos. "Todo esse cenário motivou as seguradoras a criarem produtos, principalmente para as classes C, D e E. Isso, somado a abertura do mercado de resseguros, vai fazer com que a aparição de novos produtos seja uma constante", ressalta o presidente do CVG-RJ.
Centro científico
Para Lúcio Marques, toda esta estrutura servirá de apoio para abrigar no CVG-RJ, com apoio de resseguradoras que operam o ramo Vida, um Centro Científico de Estudos para acompanhar o desenvolvimento do setor, que hoje gera impactos atuariais nas operações das seguradoras.
"Acredito que, em 2050, a média de sobrevivência dos brasileiros chegue a 85 anos. A nossa previsão é que até lá exista uma população de três milhões de pessoas com mais de 100 anos. O seguro de Vida é um importante aliado para a sobrevivência das famílias de baixa renda, quando provê indenizações convertidas em cestas básicas, renda hospitalar, auxílio funeral e indenizações de menor porte que podem garantir o sustento de famílias inteira ou até mesmo a compra de uma moradia simples, em caso de morte do seu provedor principal", afirmou.
Além do presidente do CVG-RJ, participaram do encontro com os jornalistas o vice-presidente, Ancelmo Abrantes Fortuna, e o Diretor de Seguros, responsável pela área de cursos, José Luiz Florippes.
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