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Fonte: Último Segundo
No final, Kenneth R. Feinberg, especialista em compensações da gestão Obama, reduziu o pagamento dos maiores salários das companhias que receberam ajuda financeira governamental.
Mas sua decisão, anunciada na quarta-feira, não acabará com os salários altos nestas companhias. Na verdade, apesar da notável intrusão governamental nestas iniciativas privadas, executivos sênior em algumas das companhias desfrutarão salários multimilionários este ano, geralmente na forma de ações. Outros funcionários ganharão ainda mais.
Entrevistas com funcionários, consultores e executivos envolvidos na revisão dos pagamentos sugerem que as próprias companhias - AIG, Bank of America, Citigroup, Chrysler, General Motors, e duas financiadoras associadas, GMAC e Chrysler Financial - tiveram papel central no processo.
Ambos os lados reconheceram desde o início que as políticas de resgate financeiro, bem como a economia, iriam modelar a decisão final, de acordo com pessoas envolvidas no processo. O ressentimento popular em relação às companhias que receberam bilhões dos dólares dos contribuintes - e a Washington por oferecer os resgates - não foi esquecido pelas pessoas que participaram das negociações, dizem os envolvidos.
Em uma reunião com executivos da AIG, por exemplo, representantes da gigante seguradora sugeriram que o principal executivo de uma de suas unidades empresariais receba um salário em paridade com o principal executivo do setor.
"Me explica como eu justificaria isso?" questionou Mary Pat Fox, consultora que trabalha na equipe de Feinberg. A sala ficou em silêncio.
Feinberg se recusou a discutir a revisão, que teve início neste verão, com uma série de reuniões com os executivos das companhias. Cada companhia forneceu sua própria lista dos 25 funcionários mais bem pagos em 2008.
Nos meses seguintes, os executivos afirmaram inúmeras vezes que o corte nos pagamentos afastaria funcionários talentosos, os mesmos que são necessários para reverter a atual situação destas empresas.
Às vezes, a sala de guerra no porão ficava tão cheia que as reuniões se espalhavam pelo escritório de Paul Volcker, ex-presidente da Reserva Federal (Fed) que agora trabalha como conselheiro econômico proeminente da gestão Obama.
A AIG se recusou a cancelar alguns contratos de pagamentos que estão fora a esfera de Feinberg. A certa altura, executivos da AIG expressaram frustração a respeito dos contratos. A AIG, segundo eles, estava tendo dificuldades em identificar quem são seus funcionários mais bem pagos.
O Bank of America, por sua vez, enviou seu líder de comércio e investimento, Thomas K. Montag, para falar em nome de sua equipe.
Mas algumas concessões foram inevitáveis. Por exemplo, o Citigroup vendeu sua unidade de commodities, a Phibro, para evitar um confronto com Feinberg a respeito do total de US$ 100 milhões em bônus a seu melhor funcionário, Andrew J. Hall.
Outros se esconderam. Os executivos da Chrysler Financial pediram inicialmente para não serem considerados na revisão uma vez que a companhia havia devolvido o dinheiro que recebeu como resgate. Mas a companhia de financiamento da Chrysler devia dinheiro ao Tesouro e o pedido foi negado.
Uma surpresa da AIG foram os dados de um executivo na categoria "outras compensações", cujo total em 2008 foi de US$ 1,5 milhão, refletindo voos no jato corporativo da companhia.
Até o fim de julho, a equipe governamental, em consulta com dois peritos de compensação proeminentes, Lucian A. Bebchuk e Kevin J. Murphy, criou um documento de 20 páginas revelando as exigências de Feinberg.
As companhias foram ordenadas a entregar minutas sobre as reuniões de comitês de compensação ao longo do ano passado, as ações concedidas aos principais executivos nos últimos dois anos e as medidas de performance que foram usadas para determinar seus salários nos últimos dois anos.
A exigência mais controversa de Feinberg era que as companhias informassem quantas ações os 25 principais executivos tinham. Geralmente, apenas os cinco principais têm que informar este dado.
A equipe de pagamento imediatamente recebeu telefonemas de gerentes de compensação das companhias, que acusavam o pedido de ser amplo demais. Mas em meados de agosto, as empresas acataram o pedido.
Michael Murray, que lidera a compensação no Citigroup, foi quem ficou mais preocupado. Ele disse à equipe que seria estranho para ele perguntar a cada um dos executivos quantas ações eles tinham porque muitos consideram a questão de terem ou não vendido suas ações no decorrer do ano um assunto pessoal.
O Bank of America ficou particularmente preocupado a respeito de perder funcionários caso Feinberg restringisse seu pagamento. O banco estava em meio à integração de suas operações com o Merrill Lynch, o qual concordou comprar no auge da crise no ano passado.
Quando o Bank of America entregou o nome de seus principais executivos a Feinberg, seus representantes mostraram que 45 dos 100 principais funcionários da instituição deixaram seus cargos.
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