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Fonte: Monitor Mercantil
Sai da "crise" com lucro crescendo 30%
Resultado líquido do banco espanhol no terceiro trimestre teve crescimento de 76%
O Santander Brasil obteve um lucro de R$ 3,917 bilhões nos nove primeiros meses de 2009, alta de 30,3% em relação ao mesmo período de 2008 (R$ 3,007 bilhões). O resultado representa a aceleração do ritmo de crescimento do lucro líquido da instituição financeira, que na comparação interanual do primeiro semestre de 2009 com o mesmo período de 2008 foi de 13%.
No trimestre, o lucro líquido foi de R$ 1,472 bilhão, permanecendo estável quando comparado com o anterior mas superior em 76% ao de R$ 836 milhões registrado em igual período de 2008 . Os dados estão de acordo com os padrões internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards - IFRS). No terceiro trimestre o, Santander incorporou as ações da seguradora e asset, com impacto no lucro líquido de R$ 79 milhões.
O lucro líquido nos padrões contábeis brasileiros foi de R$ 2,914 bilhões (excluindo, principalmente, a amortização do ágio da aquisição do Banco Real), o que representou uma alta de 30,7% na comparação com os nove primeiros meses de 2008. "Somos um player diferenciado no setor e com forte solidez para competir. Temos um dos maiores pontos de venda, com mais de 10 milhões de correntistas ativos", destacou Carlos Alberto López Galán, vice-presidente executivo de Finanças e diretor de Relações com Investidores.
Sem projeções
Durante a teleconferência, o executivo evitou dar projeções sobre o desempenho do banco, devido ao período de silêncio imposto pela recente oferta. No entanto, ressaltou que, a partir da oferta, o Santander pretende acelerar o crescimento orgânico, aumentando a participação de mercado. Serão abertas 600 novas agências, e 300 postos de atendimento, com a ampliação da carteira de crédito, tanto no banco comercial, quanto no banco global de atacado. Além disso, a oferta permitiu que a instituição fortalecesse a estrutura de funding.
Ao final de setembro os ativos do banco atingiram R$ 306,24 bilhões, com crescimento de 7,8% em doze meses. O patrimônio líquido totalizou R$ 55,667 bilhões, incluindo R$ 28,312 bilhões, referente ao ágio da aquisição do Banco Real e da Real Seguros Vida e Previdência. O retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado pelo ágio foi de 21,2%, crescimento de 3,3 pontos percentuais em relação ao retorno atingido em igual período do ano anterior.
A margem financeira registrou crescimento de 17,8% (ou R$ 2,47 bilhões) em doze meses, alavancada pela alta do volume médio do crédito, de 16,8% no período. No terceiro trimestre, a margem líquida de juros apresentou crescimento de 3,0%, em relação ao segundo trimestre de 2009. "Apesar de apresentarmos uma queda no resultado com clientes devido à desaceleração das operações de crédito no curto prazo, temos um ganho nos resultados de mercados, oriundos, principalmente, de um menor custo de captação pela queda da taxa de juros", diz o Santander em nota. Em relação ao segundo trimestre, o volume médio de crédito apresentou recuo de 2,6%.
Crédito e depósitos
A carteira de crédito (gerencial) alcançou R$ 132,9 bilhões, com crescimento de 3,7% em doze meses, e queda no trimestre de 0,9%. Esta redução é explicada pelo fortalecimento do real contra o dólar, que impactou a evolução do volume de crédito.
O destaque da evolução do crédito, tanto no ano como no trimestre, está no segmento de pessoa física que cresceu, respectivamente 13,0% e 2,6%, atingindo R$ 42,405 bilhões em setembro de 2009. O segmento de pequenas e médias empresas caiu 2,3% no trimestre, pela menor demanda por empréstimos, como conseqüência da crise financeira, e da maior prudência do Santander na concessão destes empréstimos.
Os depósitos totais somaram R$ 173,886 bilhões, mostrando recuo de 2,6% em doze meses (R$ 173,886 bilhões) e 2,3% no trimestre, devido à menor necessidade de captação no mercado (via CDBs), para financiar o crescimento da carteira. A poupança liderou o crescimento (R$ 22,889 bilhões), com evolução de 19,5% em doze meses (em outubro de 2008 alcançou R$ 19,154 bilhões), pela maior atratividade oferecida por este investimento em um cenário de queda de taxas de juros. Já os depósitos a vista evoluíram 3,1% em doze meses e caíram 3,4% no trimestre. Enquanto, os depósitos a prazo mostraram queda de 6,0% em doze meses e de 3,2% no trimestre, em função da menor necessidade de funding livre, causado pela redução do ritmo de crescimento da carteira de crédito.
Integração
De acordo com o vice-presidente, a união entre o Santander e o Real é marcada pela complementaridade das operações, tanto do ponto de vista da localidade como dos segmentos de clientes e produtos. "Enquanto o Santander é mais focado no cartão de crédito, o Real é em financiamento de veículos", exemplificou. O executivo lembrou que o processo de integração está dentro do cronograma previsto. A integração completa entre o Santander e o Real deve ocorrer até setembro do próximo ano. "Todos os produtos e áreas centralizadas estão definidos. Para a frente temos a integração das redes de agências de varejo", disse.
A primeira etapa, iniciada em agosto deste ano, já foi concluída. As sinergias criadas pela incorporação do Banco Real pelo Banco Santander, desde janeiro até setembro de 2009 somou R$ 831 milhões. A expectativa é de que até o fim do processo de integração sejam capturadas sinergias da ordem de R$ 2,4 bilhões. "As sinergias podem ser conquistadas simplesmente pela transferência das melhores práticas de um banco para outro", explicou Galán.
Despesas
As despesas gerais (administrativas + pessoal) somaram R$ 8,054 bilhões nos nove meses do ano, uma redução de 3,6% (ou R$ 305 milhões). Já as despesas administrativas e de pessoal em 4,4% e 2,9%, respectivamente, em relação aos nove primeiros meses do ano de 2008, atingindo o montante de R$ 4,0 bilhões. Como resultado, o índice de eficiência, calculado por meio da divisão das despesas gerais pela receita total, evoluiu de 42,7% no para 34,4%, uma melhora de 8,3 pontos percentuais no período (tal indicador, quanto menor a pontuação, indica melhora de resultado).
Brasil participa com 24% do lucro mundial
O Grupo Santander teve lucro líquido de 6,74 bilhões de euros nos nove primeiros meses de 2009, uma queda de 2,8% no comparativo com período correspondente de 2008, quando o ganho ficou em 6,935 bilhões de euros. O Brasil respondeu por 24% deste resultado. O terceiro trimestre de 2009 significou para o Santander um lucro de 2,221 bilhões de euros, ligeiramente acima dos 2,205 bilhões de euros somados no mesmo intervalo do calendário passado, "algo que não se havia produzido nos dois primeiros trimestres deste ano", como observou o banco.
A instituição lembrou que, no terceiro trimestre, obteve um ganho de 823 milhões de euros com a troca de títulos da dívida e compra de bônus, ao que se soma 1,424 bilhão de euros em outubro como consequência da ampliação de capital no Brasil. "Este conjunto de recursos se destinam a provisões de insolvências (987 milhões de euros), a provisões para imóveis adquiridos (420 milhões de euros) e a pré-aposentadorias, a amortização de custos de reestruturação e outros fundos (840 milhões de euros)", destacou o Santander em nota.
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