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Setor de seguros faz a conta das mudanças climáticas


Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Nestes dias que antecedem à Conferência de Copenhague (COP-15), cuja ambição é fechar um acordo climático global, novos estudos buscam avaliar o peso das mudanças no clima para a economia mundial. Um dos mais interessantes é o relatório "Major Tipping Points in the Earth"s Climate System and Consequences for the Insurance Sector", feito em conjunto pela ONG WWF e pela multinacional da área de seguros Allianz.

O estudo destaca os principais riscos que as mudanças climáticas podem trazer para os ecossistemas mundiais e quais seriam seus custos. Ressalta vários impactos climáticos potenciais: o aumento do nível do mar na costa norte-americana, as alterações no sistema de monções na Índia, as potenciais secas na Amazônia, a probabilidade de desertificação do sudoeste americano etc. E os relaciona com as consequências para o setor de seguros.

A lista de exemplos dessa relação é grande. O derretimento da camada de gelo no Ártico pode elevar o nível do mar em 50 centímetros em 2050, o que coloca em risco bens de valor estimados em US$ 28 trilhões nas regiões portuárias mundiais. Somente ao longo da costa noroeste dos Estados Unidos a elevação do nível do mar colocaria mais US$ 6,05 bilhões de bens em risco

A Califórnia, por outro lado, pode vivenciar um período mais longo e mais intenso de seca, o que por sua vez aumenta o risco de incêndios, problema já recorrente no Estado americano. Perdas com incêndios podem aumentar para US$ 2,5 bilhões por ano em 2050 e para US$ 14 bilhões em 2085, se não houver reversão no aquecimento global. O estudo também estimou o prejuízo na floresta amazônica, considerando a perda de biodiversidade pela seca que pode atingir a região: US$ 9 bilhões.

As organizações que fizeram o estudo apontam que os dados são projeções a partir de cenários potenciais, mas como apontou o presidente da Allianz Reinsurance, Clemens von Weichs: "Como empresa seguradora e investidora, nós precisamos preparar nossos clientes para estes cenários enquanto ainda temos possibilidade de ação".

PARA SABER MAIS

Economia do Clima no Brasil - No Brasil, o consórcio entre universidade e setor privado que realizou o estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil (EMCB) apontou que o País corre o risco de ter uma perda na economia de R$ 719 bilhões a R$ 3,6 trilhões em 2050, caso nada seja feito para reverter os impactos das mudanças climáticas.

As regiões mais vulneráveis à mudança do clima no Brasil seriam a Amazônia e o Nordeste, com perdas expressivas para a agricultura em quase todos os estados. Além disso, a previsão é de uma menor a confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. Veja a íntegra do estudo no site www.economiadoclima.org.br.

PARA FICAR DE OLHO

Emissões da floresta - O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) colocou novos números na mesa de negociação em Copenhague para a discussão sobre o papel da preservação das florestas tropicais na redução das emissões globais de carbono. Havia estimativa de que elas eram responsáveis por mais de 10% das emissões globais, mas o Inpe mostrou que o desmatamento da Amazônia, em 2008, foi responsável por 1,1 a 1,9% das emissões de carbono no mundo.

O relatório do instituto indica relativa queda das emissões pelo uso da terra, reflexo principalmente da diminuição do desmatamento da Amazônia, o que também acontece na Indonésia. (Fátima C. Cardoso - AE)


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