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Tokio Marine tem fome de grandes riscos


Fonte: Brasil Econômico | Finanças | BR

Ramos de transporte, engenharia e patrimonial são os que mais se desenvolvem, com avanço de 70% nos últimos dois anos.

A seguradora de origem japonesa Tokio Marine quer fazer jus ao seu nome nas operações no Brasil. O "marine" se refere a um jargão do setor em inglês que significa transportes, linha de seguros que cobre riscos a que estão expostas mercadorias e outros bens durante o seu transporte por terra, mar ou ar.

Além de transportes, a seguradora também atua em riscos de engenharia e patrimonial. Só neste ano, esses ramos de negócios, chamados de elementares e que envolvem grandes riscos, cresceram 20%. No ano passado o avanço foi de 40%. Ou seja, o bolo cresceu 68% em dois anos.

"Temos grandes projetos em andamento e outros sendo fechados", contá o diretor-presidente da TokioMarine no Brasil, Akira Harashima, sem dar muitos detalhes, referindo-se a riscos de engenharia. O apetite da seguradora - e de todo o setor - está grande por estes ramos por conta das oportunidades que estão à vista: Copa do Mundo, Olimpíada e ano eleitoral - que estimula a realização de obras.

"A Tokio se mostra hoje como um player nesse mercado", avalia Victor Garibaldi, vicepresidente de ramos elementares da Quorum Corretora de Seguros.

Segundo ele, para ter sucesso em grandes riscos é necessária uma equipe com capacidade técnica, autonomia e capacidade nos contratos de resseguros e foco no segmento emque está crescendo.

Seguro do seguro

O resseguro é uma operação em que a seguradora cede uma parte do risco e do prêmio recebido para diminuir sua responsabilidade na aceitação de um risco grande ou perigoso. Por conta disso, o seguro do seguro, como é conhecido o resseguro, é importante para as seguradoras que atuam com riscos grandes.

O grupo Tokio Marine, que tem operações em 36 países, tem duas resseguradoras, a Tokio Marine Global, sediada em Londres, e a Tokio Marine & Nichido Fire, baseada no Japão, além de operar no sindicato formado pelo inglês Lloyds. Elas são registradas no Brasil como resseguradoras eventuais e dão condições para que a operação da seguradora absorva riscosmaiores.

Equilíbrio Hoje, a carteira da Tokio Marine está dividido da seguinte forma: 40%, automóveis; 35%, ramos elementares (seguros de bens e responsabilidade); e 25%, de vida. Mas não foi sempre assim.

"Há três anos, 65% do nosso portfólio era de automóveis.

Nosso negócio era auto", lembra Harashima. Segundo ele, com estes percentuais, a seguradora fica com uma carteira balanceada. "Queremos mantê- la nesse equilíbrio e crescer emtodas as áreas." Há exatos 50 anos no Brasil, a fome da Tokio Marine por grandes riscos é recente. Até 2007, ela era inexpressiva nesse mercado, mas isso mudou com a abertura do mercado de resseguros brasileiro, que por 70 anos ficou sob o monopólio do IRB.

Em 2008, quando o mercado efetivamente foi aberto para novos agentes, ela foi com bastante sede ao pote. Inclusive comagressividade de preço, comenta uma fonte do mercado.

Essa fonte explica, porém, que a empresa não teve problema com o nível de sinistralidade e investiu em pessoal para trabalhar na área. A Tokio trouxe, por exemplo, Sidney Cesarino do Bradesco e Felipe Smith, diretor técnico da área corporativa da Tokio, que veio da corretora Marsh.

Pelo discurso de Harashima, porém, a estratégia é o crescimento orgânico, com melhoria dos processos operacionais.

"Estamos procurando um crescimento e uma rentabilidade sustentável", comenta. "Algumas seguradoras não estão mais interessadas em grandes riscos", completa.

A seguradora pretende usar experiência e conhecimento que obteve comas três Olímpiadas já realizadas no Japão para abocanhar as oportunidades para o setor de seguros com a Olimpíada e a Copa do Mundo no Brasil


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