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Fonte: Monitor Mercantil
Quem ouviu recente palestra do comandante da Marinha, almirante Moura Neto, ficou empolgado. Os planos são muito ousados. O dirigente revela que pretende criar uma frota aeronaval de 168 aviões, capaz de realmente cuidar da costa brasileira. Além do São Paulo, a força quer ter um segundo porta-aviões. E ainda pretende não só fortalecer a atual frota bélica, baseada no Sudeste, como criar uma nova esquadra, com base no Norte do país. A realidade, no entanto, pode se mostrar um pouco menos rósea, contrastando com os planos futuros. Fontes do setor afirmam que, por falta de recursos para investimento e para manutenção, o dia-a-dia da Força Armada é muito mais sofrido. O porta-aviões, por exemplo, desde que foi comprado, passou mais tempo parado do que em operação.
Há alguns anos, a Marinha fez um excelente negócio, ao importar 23 aviões seminovos, quase não usados nas guerras do Oriente Médio - onde os aliados dos norte-americanos praticamente não têm opositores e encontram obstáculos apenas nas guerrilhas, jamais no combate aberto. Pois informa-se que, dos 23 aviões seminovos, apenas dois estão em plena operação: 21 estão em terra, por falta de manutenção, peças ou pilotos. Por tudo isso, os planos da Marinha são bem-vindos. Mas há muita gente que acha que deveria haver maior ligação entre os projetos e o dia-a-dia. Não se pode mostrar sonhos quiméricos, quando a realidade é bem mais sofrida. E já que se vai investir, que se dê atenção para os gastos de manutenção, de modo a valorizar o que patrimônio existente.
Em meio a grande polêmica, a França vendeu ao Governo Lula cinco submarinos, por cerca de R$ 18 bilhões. Serão quatro submarinos convencionais, do tipo Scorpène, a serem fabricados no Brasil com tecnologia do estaleiro estatal francês DCNS, e um casco adaptável para submarino de propulsão nuclear, que só será efetivamente fabricado quando o próprio Brasil concluir suas pesquisas sobre essa especialidade, o que deve demorar mais de uma década. A construção do estaleiro que fará tais obras caberá à Construtora Odebrecht, escolhida, segundo informações oficiais, pelo grupo francês - ou seja, quem paga é o Brasil, mas quem escolhe a construtora são os franceses.
Brasil surpreendente
O Brasil é realmente surpreendente. O Fundo de Marinha Mercante passou todo o ano sem se reunir e, no apagar das luzes de 2009, aprova 161 projetos, no fantástico valor de R$ 14,2 bilhões. Na verdade, tudo foi bem racional: faltava dinheiro e não valia a pena se reunir para nada aprovar.
O histórico fundo, criado por Juscelino Kubitschek, precisava de verba e, para isso, o presidente da República teria de agir. Nos últimos anos - inclusive na gestão de Joaquim Levy na Secretaria do Tesouro Nacional - o que ocorria era o oposto: em vez de obter aportes de recursos, o dinheiro do FMM era retirado (contingenciado é o termo dos buracratas) para suprir deficiência do caixa geral.
Lula tem muitos defeitos como presidente, mas, sem dúvida, beneficiou construção naval e marinha mercante, em seus sete anos de gestão. Com esse dinheiro, virão novos estaleiros, mais navios e as previsões otimistas do presidente do Sindicato da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, a cada dia se confirmam. O setor está com 46 mil empregos diretos e pretende se aproximar de 100 mil até 2015.
A Transpetro ficou com R$ 5,2 bilhões, referente a dez navios. Os barcos de apoio serão 19 e os novos estaleiros serão dois na Bahia - Estaleiros da Bahia e Paraguaçu - o Eisa de Alagoas - de German Eframovich, do grupo Sinergy; e está nascendo o Promar Ceará, que, segundo se informa, apresentou os menores preços para construção de navios de gás da Transpetro e, assim, poderá nascer já com forte encomenda.
O presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Hugo Figueiredo, destacou que essa foi a maior reunião em termos de significado e valores da história do FMM. Ele enfatizou que os navios que apresentarem maior percentual de conteúdo nacional terão condições financeiras mais atrativas do que aqueles que tenham mais itens importados. "É uma forma de induzir ao aumento do conteúdo nacional", avaliou.
E o presidente do Sindicato dos Oficiais de Marinha (Sindar), Severino Almeida, foi enfático: "As perspectivas são excelentes. O próximo passo tem de ser a volta dos navios brasileiros aos portos estrangeiros.
Fora do IRB
Nos primeiros dias de janeiro, muda a norma sobre resseguros. As empresas locais, que hoje têm preferência sobre 60% dos negócios, verão essa margem cair para 40%. Com isso, amplia-se o mercado das demais resseguradoras. Segundo se comenta, a Bradesco Seguros, que hoje concentra 100% de suas operações com o IRB-Brasil Re, estaria disposta a iniciar operações com outras resseguradoras, dentro do princípio de busca de menores taxas.
No caso do resseguro, nunca é demais relembrar que o Partido dos Trabalhadores (PT) encheu a paciência dos tucanos e do presidente Fernando Henrique Cardoso: foi até o Supremo contra a abertura do setor. Sem muito alarde, após a reeleição, em outubro de 2006, e antes da segunda posse, em janeiro de 2007, o inacreditável Lula decretou a abertura do mercado de resseguros - para espanto de todos.
Agnes reeleita
Após três anos de gestão à frente da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Agnes Barbeito acaba de ser reeleita por seus pares, por unanimidade. Ela representa o Terminal de Contêineres da Margem Direita (Tecondi). A empresária procurou unificar o setor e manteve bom relacionamento com o governo, especialmente Secretaria Especial de Portos (SEP) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Sob o comando de Agnes, a Abtra apoiou firmemente o Decreto 6.620, editado por indicação do titular da SEP, Pedro Brito. Com bom humor, disse Agnes: "Deixamos de lado reclamações e procuramos entender as razões do governo no relacionamento com o empresariado".
Dilma e Lula
A ministra Dilma continua fazendo das suas. A mais recente foi a afirmação de que o meio ambiente prejudica o desenvolvimento sustentável. Mas, com imagem colada em Lula, a candidata oficial deu um salto: enquanto José Serra subiu um ponto e atingiu 37% das preferências de votos, ela passou a 23%. E, com a campanha oficialmente na rua, nada impede que suba a rampa do Planalto em janeiro de 2011.
Rápidas
Da mensagem lida domingo nas igrejas católicas: "Precisamos tomar posse de novo do Natal, tão paganizado por uma visão consumista e secularizada, onde o que importa é o valor da compra e o saldo da conta bancária" *** A empresa JTerra Consultoria Ltda., do Rio de Janeiro, foi escolhida a nova representante no Brasil do Orlando Convention & Visitors Bureau. Desenvolverá atividades de marketing, relações públicas e desenvolvimento de promoções para o trade turístico e visitantes em geral. Jane Terra e sua equipe há dez anos representam Busch Entertainment *** As entidades empresariais terminam o ano em guerra contra a nova taxa do Seguro de Acidente do Trabalho, imposta pelo Ministério da Previdência Social. Os empresários que se sentirem prejudicados pelas novas regras podem entrar com recursos administrativos até o dia 9 de janeiro de 2010. No âmbito judicial não há prazo para interposição das medidas. O novo seguro começa a ser cobrado em fevereiro. Com mais este ônus sobre a folha de salários, o Governo Federal estimula a já enorme informalidade no trabalho. O aumento pode chegar a 500% em relação aos níveis atuais *** A semana começou com bolsa em baixa e dólar em alta.
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