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Ex-secretário do Tesouro dos EUA reconhece que governo errou ao não monitorar bancos


Fonte: O Globo

WASHINGTON - Henry M. Paulson Jr., secretário do Tesouro dos EUA entre 2006 e 2009, aproveitou o lançamento de seu livro de memórias em Washington nesta terça-feira - "On the brink: Inside the race to stop the collapse of the global financial System" ("No limiar: Por dentro da corrida para evitar o colapso do sistema financeiro global") - para defender o socorro ao sistema financeiro.

Ele também admitiu que a equipe econômica do governo George W. Bush errou ao não monitorar com antecedência instituições com problemas, como o banco Lehman Brothers, a seguradora AIG e as empresas de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac.

Paulson fez uma apaixonada defesa do pacote de ajuda aos bancos, conhecido como Programa de Alívio sobre Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês) iniciado por ele e mantido pelo presidente Barack Obama. O programa era inicialmente de US$ 250 bilhões, mas chegou a comprometer US$ 350 bilhões do Tesouro dos EUA. Segundo o ex-secretário, se o governo americano e o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não tivessem feito uma intervenção em AIG, Fannie Mae e Freddie Mac, a crise financeira teria feito o sistema financeiro entrar em colapso, e os índices de desemprego seriam hoje de 25%, em lugar dos atuais 10%.

Paulson afirmou que o apoio dos então candidatos à Presidência - Obama e o senador John McCain - foi fundamental para a aprovação do pacote de ajuda no Congresso e para convencer os parlamentares de que a economia estava de fato à beira do precipício.

- Nós tomamos as medidas corretas diante daquele momento de transição política e diante da falta de instrumentos necessários para lidar com uma situação de crise daquela magnitude - disse Paulson ontem na Escola de Estudos Internacionais Avançados Paul H. Nitze, da Universidade Johns Hopkins.

O lançamento oficial de "On the brink" ocorreu em 1 de fevereiro, mas o ex-secretário vem circulando nas principais capitais americanas para divulgar o seu ensaio.

Paulson defendeu o projeto de reforma do sistema financeiro em tramitação no Congresso para que o dinheiro público não volte a ser usado para salvar bancos. E destacou que atual proposta é até mesmo tímida diante das necessidades, já que outras empresas financeiras, além dos bancos, precisam ser reguladas. Segundo ele, um organismo governamental deve ser capaz de intervir a qualquer momento em qualquer empresa financeira para garantir a estabilidade do mercado.


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