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Fonte: Gazeta do Sul
Pelo menos três bancos privados e dois públicos aderiram à greve da categoria, deflagrada ontem. Na base territorial do Sindicato dos Bancários de Santa Cruz do Sul e Região - que abrange 23 municípios - as paralisações iniciaram em Santa Cruz e Sinimbu. Mas a tendência é que instituições de outras cidades se engajem ao movimento a partir de hoje. Em assembleias realizadas por todo o País na noite de terça-feira, os funcionários decidiram cruzar os braços depois de rejeitar o aumento salarial de 4,29%, proposto pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
A agência central do Banrisul de Santa Cruz permaneceu fechada até o meio-dia. Depois, o atendimento foi parcial. Na Caixa, 40% dos bancários interromperam as atividades. Pelos privados, aderiram o Santander, ABN Real e o HSBC. Em Sinimbu, não houve expediente no Banrisul. De acordo com o diretor de comunicação, Cândido Machado, a mobilização se tornará ainda maior nesta quinta-feira. As Caixas de Vera Cruz, Sobradinho e Taquari se juntam às demais na paralisação, que deve se estender também para o Banrisul de Venâncio Aires e Arroio dos Ratos, na Região Carbonífera.
Por enquanto, o Banco do Brasil vai aguardar o movimento nacional para decidir se entra em greve. Segundo Machado, o índice apresentado pela Fenaban está muito abaixo do reivindicado pela categoria - 11%. "A rentabilidade média dos principais bancos foi 38% no primeiro semestre. Não tem sentido nos darem apenas a inflação do período, sendo que a perspectiva de crescimento da economia no Brasil este ano é de 7%", ressaltou. Segundo ele, muitos funcionários adoecem todos os anos em virtude de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e tendinite e enfrentam até problemas psicológicos.
Até o momento, nenhuma nova rodada de negociação está marcada com a classe patronal. Antes de iniciar a greve, cinco reuniões foram realizadas sem sucesso. "É preciso esclarecer à população que não somos culpados pelos transtornos. O que pedimos são mais contratações para evitar a sobrecarga de trabalho e prestar um serviço de qualidade", enfatiza Machado, acrescentando que o número de funcionários reduz a cada ano e as metas são abusivas. Além de trabalhar de seis a oito horas, o bancário ainda precisa arranjar tempo para vender cartões de crédito ou seguros.
MAIS contratações
Um dos principais pedidos é o aumento de caixas nos guichês. especialmente em dias de grande fluxo de clientes. "Às vezes nos bancos privados há só um e quando dá movimento colocam dois", exemplifica o diretor.
A paralisação ocorre por tempo indeterminado nos 26 estados e no Distrito Federal. "Isso demonstra a indignação dos bancários. Nós advertimos durante as rodadas de negociações que estavam empurrando a categoria para a greve ao propor só 4,29% e rejeitar as demais reivindicações", relembra o presidente da Confederação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do Comando Nacional de Greve, Carlos Cordeiro.
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