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Fonte: Diário de Notícias Lisboa
Gangue de 46 pessoas, que burlou companhias de seguros, começa hoje a ser julgado em Espinho. Terão provocado 138 acidentes em seis anos, sacando um milhão de euros.
Foi uma gigantesca fraude a seguradoras com acidentes simulados que motivou um apurado trabalho da Polícia Judiciária (PJ). É o caso do processo que hoje vai começar a ser julgado no Tribunal de Espinho. Nada mais nada menos que um milhão de euros que é reclamado por várias seguradoras enganadas pelo grupo de burlões que simulavam acidentes.
O julgamento começa hoje, embora o cabecilha do grupo continue fugido à justiça desde há dois anos. O proprietário de uma oficina de reparações de automóveis, em Lobão, concelho de Santa Maria da Feira, é considerado um dos três cabecilhas de um grupo de 46 acusados. O Ministério Público (MP) acusa-os de terem simulado 138 acidentes. Quando a operação policial foi desencadeada, o indivíduo, de 39 anos, após ter sido ouvido em primeiro interrogatório, ficou obrigado pelo juiz a apresentar-se três vezes por semana no posto da GNR, mas deixou de o fazer em Dezembro de 2008, desconhecendo-se actualmente o seu paradeiro.
Outros dois cabecilhas seriam o proprietário de uma oficina em Caldas de S. Jorge e um funcionário de um stand de automóveis da Feira. Estiveram ambos em prisão preventiva, mas a medida de coacção seria alterada para termo de identidade e residência. No total, são 46 as pessoas acusadas de simulação de sinistros entre 2000 e 2006 e de prática de mais de três centenas de crimes.
Em alguns casos, os acidentes eram combinados com os condutores das viaturas, noutros os suspeitos embatiam contra automóveis cujos condutores ignoravam que estavam a fazer parte de um esquema fraudulento. Os locais eram previamente escolhidos de forma a não existirem dúvidas quanto à responsabilidade dos intervenientes. Os veículos usados pelos acusados eram também previamente preparados com peças danificadas e cuja reparação seria depois paga pelas seguradoras.
Na sequência da investigação, várias seguradoras lesadas pediram indemnizações e entre as queixosas estão a Fidelidade Mundial, a Liberty, a Alliance e a Lusitânia. "É uma situação cada vez mais frequente e aqui temos duas situações. A pessoa que danifica ainda mais a viatura após o acidente e que a manda arranjar apresentando depois um dano superior, e as redes que simulam acidentes. Esta última é mais preocupante e cada vez mais recorrente. Muitas vezes os carros aparecem no estrangeiro", afirmou ao DN o director de sinistros da Liberty Seguros, Luís Cardoso.
Por isso as empresas seguradoras investem cada vez mais nas áreas de peritagem e reconstituição de acidentes de forma a detectar a fraude.
Para os prevaricadores, é uma forma de arranjar mais algum dinheiro. Deliberadamente são muitos os que simulam um sinistro, provocando intencionalmente o acidente com vista a obter dinheiro ilegalmente. Há já redes especializadas, como esta de Espinho, e a investigação dos acidentes rodoviários nunca foi tão minuciosa como agora. Por ano, cada empresa de seguros detecta cerca de mil fraudes, 67% das quais relacionadas com o ramo automóvel. A polícia ajuda as seguradoras. Dez a 12% do valor cobrado ao cliente é para compensar essas perdas.
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