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Fonte: Portal Nacional de Seguros
O microsseguro, que tem potencial para cobrir até 4 bilhões de pessoas, concentra-se atualmente em poucos riscos - como o seguro prestamista -, mas pode ser explorado em diversas outras áreas, como saúde, seguro agrícola, seguro de vida temporário, produtos de pensão acessíveis bem como outros produtos de poupança.
Isto é o que aponta o mais recente estudo sigma da Swiss Re, intituloado "Microsseguro - proteção contra riscos para 4 bilhões de pessoas". Segundo o levantamento, este tipo de proteção é uma solução eficaz e viável de gestão de riscos para indivíduos de baixa renda.
Os prêmios e coberturas são mantidos em níveis baixos para que os produtos se tornem acessíveis a estes segurados, sem deixarem de ser comercialmente sustentáveis.
Desenvolvimento socioeconômico
Ao atingir inúmeros indivíduos que anteriormente estavam excluídos do seguro e, portanto, ao reduzir a vulnerabilidade dos segmentos de baixa renda e proteger seu fluxo de renda, o microsseguro ajuda a melhorar a estabilidade social e dá suporte ao desenvolvimento econômico em geral.
"Para as seguradoras, o microsseguro cria uma oportunidade para explorar novos mercados e gera um forte valor de marca que pode ser usado para vender produtos de seguro convencionais no futuro", analisa Amit Kalra, autor do estudo.
Segundo ele, a situação é benéfica para ambas as partes. "As seguradoras ajudam aqueles que necessitam urgentemente de acesso ao seguro; estes, por sua vez, sustentam as metas econômicas de longo prazo das seguradoras", acrescenta.
Potencial
A estimativa é que o mercado de microsseguro poderia gerar prêmios de até US$ 40 bilhões. No decorrer da última década, seguradoras, ONGs, associações mutualistas e organizações comunitárias lançaram programas de microsseguro em suas linhas de produtos e nos principais mercados. Entre os fatores que mais impulsionam o crescimento desta atividade estão a crescente penetração das microfinanças (principalmente o microcrédito), o envolvimento ativo dos governos e as ofertas de produtos baseados na necessidade.
Para Kalra, "a região Ásia-Pacífico é o mercado de microsseguro de maior dimensão e de mais acelerado crescimento". No entanto, ele afirma que o microsseguro também ganhou destaque em países da África e da América Latina, apesar de menores comparados com mercados já desenvolvidos.
À medida que o setor do microsseguro expande, as organizações têm que arcar com o aumento da exposição e acúmulo de riscos, fato que levará a uma demanda adicional de capital e soluções de resseguro. Com isso, tanto os produtos tradicionais como as soluções customizadas - que incluem, por exemplo, derivativos de clima e soluções paramétricas para catástrofes naturais- serão alavancados.
No entanto, para que o microsseguro alcance essa expansão, alguns entraves têm que ser vencidos, como infraestrutura insuficiente, ausência de disposições reguladoras específicas para microsseguro e falta de dados referentes à exposição e aos riscos. Além disso, as seguradoras precisam encontrar parceiros apropriados para a distribuição e gestão de sinistros. Os produtos têm que ser adaptados às necessidades dos clientes bem como ao universo cultural dos potenciais compradores de microsseguro.
Os governos podem promover o desenvolvimento do microsseguro através de regulamentos favoráveis e parcerias público-privadas. Neste sentido, os principais objetivos dos governos e administradores públicos deveriam ser: facilitar o acesso aos serviços financeiros para a população de baixa renda; desenvolver uma estrutura reguladora sólida; reduzir as barreiras e desenvolver mercados eficientes; reforçar a conscientização e assegurar a proteção do consumidor.
"Os administradores públicos podem dispor de diversas abordagens para desenvolver o setor, incluindo a adoção de regulamentos específicos para microsseguros, oferecendo suporte financeiro e patrocinando programas de seguro voltados à população em condição de extrema pobreza", observa Kalra.
Outra opção seria a parceria com o setor privado (PPP). Os governos podem efetivamente canalizar subsídios por meio de programas de microsseguro, financiando integralmente ou subsidiando prêmios. Para o autor do estudo, o objetivo dos governos nesses casos seria "tratar de modo eficaz as consequências financeiras de catástrofes naturais de grandes dimensões para as populações de baixa renda". [2]
Segundo Kalra, as ONGs, as organizações de desenvolvimento internacional e os doadores contribuem para o desenvolvimento do microsseguro, assim como as empresas de microfinança e microsseguro também encorajam o setor privado a participar de negócios com comprometimento social, criando novas oportunidades de mercado para a base da pirâmide populacional.
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