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Fonte: Diário do Grande ABC
O brasileiro está, aos poucos, cultivando cultura de pensar no futuro. Não no futuro que diz respeito ao ano que vem, mas o que se refere daqui a 20 ou 30 anos. E boa parte dessa educação financeira começou a ser estimulada com o crescimento da economia, que propiciou a muitos, pela primeira vez, poupar parte do salário.
Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida apontam que, de janeiro a setembro, houve alta de 20,57% no volume de aportes (novos recursos) em comparação ao mesmo período em 2010, somando R$ 37,3 bilhões.
A maior parte dessas cifras provém dos planos individuais (contratados por pessoa física e custeados com recursos próprios), com R$ 31,3 bilhões, que foram incrementados em 20,31% frente ao acumulado do ano passado.
Na avaliação de Wagner Soares, gerente comercial da Brasilprev, a educação financeira tem papel primordial nesse crescimento. "Ao entender a importância de pensar no longo prazo, as pessoas começam a contribuir cada vez mais cedo."
Para Gustavo Lendimuth, superintendente-executivo da HSBC Seguros, os números podem ser ainda maiores se o governo federal também fizer a sua parte e incluir, na grade curricular das escolas, a educação financeira. "Dessa forma, o assunto não será mais desconhecido, pois desde crianças as pessoas vão começar a aprender o quão importante é poupar para assegurar um futuro melhor."
Além disso, embora ainda não seja possível mensurar, a classe C, conhecida como a nova classe média (renda média de R$ 2.036,43), já é considerada um nicho importante para as seguradoras e empresas de previdência. Com salário maior, começou a sobrar parte dele, o que permitiu a muitos poupar.
"Para atender essa nova classe média começamos a disponibilizar planos a partir de R$ 25. Muitos deles iniciam um investimento pensando em oferecer a seus filhos educação melhor do que tiveram", explica Soares.
Para o diretor executivo de investimentos e previdência do Itaú Unibanco, Osvaldo Nascimento, embora esse público não tenha grandes montantes a aplicar, uma pequena quantia já é um bom começo. "Se a pessoa separar R$ 50 por mês para a previdência, isso equivale a menos do que duas pizzas, e ele já estará cuidando do seu futuro."
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