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Venda de seguros aumenta com violência


Fonte: Diário de Cuiabá

Os altos índices de crimes como assaltos, assassinatos e arrombamentos de residências na Grande Cuiabá estão deixando a população apavorada e à procura por seguros nas diversas modalidades. Depois do veículo, o modelo mais tradicional, os mais procurados estão sendo o de vida, residência e equipamentos eletro-eletrônicos portáteis de uso individual, especialmente notebooks, câmeras digitais (fotográfica e filmadora) e tablets.

De acordo com as estatísticas policiais, Cuiabá e Várzea registraram no ano passado 9.546 roubos (à mão armada), 15.447 furtos (incluindo arrombamentos de residências e empresas), 720 roubos de carros (também com uso de armas) e 731 furtos de carros (sem uso de violência). Para completar, os mais graves: 27 latrocínios (mortes durante roubos) e 406 assassinatos.

O analista de sistemas Ítalo Rafael Goch, de 30 anos, diz que a violência o fez decidir pela aquisição de um seguro pessoal. Ele conta que o nascimento do filho, há dois anos, foi decisivo.

Ítalo nunca foi assaltado, mas está sempre preocupado com o risco de ser a próxima vítima de um acidente de trânsito, assalto e outros crimes. "Meus pais foram assaltados no final do ano, invadiram a casa deles e os renderam com arma", afirma.

Se algo acontecer com ele, diz, não quer deixar apenas dívidas às pessoas que mais ama e que dependem dele - os pais, filho e a esposa. Ou ainda, no caso de algo gerar incapacidade para o trabalho, ele próprio estará assegurado.

Filho único, o empresário Jailson Padilha Fernandes, 30 anos, casado, sem filhos, conta que fez o seguro de vida pensando nos pais e na esposa. "Acho que não podemos confiar apenas na sorte", diz, observando que recentemente assaltaram um prédio vizinho e dias depois tentaram invadir a empresa dele. "Ninguém quer o pior, mas devemos estar preparados caso algo ruim aconteça", observa.

Na avaliação de Jailson, o seguro de vida ainda é um serviço caro, e talvez por isso não seja tão popular. Ele paga R$ 180 ao mês por um seguro de um valor médio, que prefere não revelar, tendo os pais e a esposa como beneficiários.

Proprietários de uma corretora de seguros, Sibely Moreno e Alex Guedes, confirmam o crescimento da venda de seguros de todas as modalidades, com ênfase no residencial e no pessoal.

Atuando no setor há 15 anos, Sibely diz que até 5 anos atrás as pessoas se preocupavam somente com o seguro do carro, uma cultura que está começando a dar sinais de mudanças por causa da criminalidade. Conforme os corretores, praticamente todos aqueles que adquirem uma apólice de seguro de vida espontaneamente manifestam o medo de ser morto em um ato de violência. E, óbvio, a preocupação com as finanças dos seus dependentes diretos.

Mesmo assim, diz Sibely, a procura ainda é muito pequena. Não há dados estatísticos individualizados sobre o Estado, pelo menos que o Diário tenha levantado junto às instituições financeiras.

Ao contrário de Jailson, Alex Guedes não considera o seguro caro. Ele diz que as opções são tantas que o torna acessível a quase todas as classes sociais. Assegurar uma casa avaliada em R$ 80 mil contra roubo (com ressarcimento de R$ 2 mil), danos elétricos (ressarcimento de R$ 2 mil) e tempestade (R$ 10 mil), por exemplo, custaria R$ 204 em cota única ou parcelado.

Já por um seguro pessoal com indenização de R$ 50 mil por morte ou invalidez por acidente e outras formas de violência, a adesão custaria R$ 225,81 em parcela única ou parcelado em R$ 18,82 ao mês.

Em tempo: a própria empresa seguradora foi assaltada há três meses. A loja foi arrombada e os ladrões levaram computadores e outros objetos. Por sorte (e precaução), eles tinham seguro.


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