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Fonte: Revista Cobertura
Entretanto, estudo da Marsh alerta para a preocupação com o enfraquecimento dos Estados, as fragilidades dos controles e o problema fiscal em regiões como Estados Unidos e União Europeia
Mesmo diante do desafiador cenário econômico mundial, principalmente no que tange à zona do euro e à crise industrial na China, o mercado de seguros brasileiro deve manter a expectativa de crescimento para 2012.
Segundo economistas, a recente conturbação na China, que junto com o Brasil pertence aos Brics, preocupa mais do que a zona do euro por ser um dos maiores importadores no País.
Acacio Queiroz, presidente e CEO da Chubb Seguros
"O Brasil depende muito mais da China do que da Europa, por isso é uma preocupação, mas não chegará a impactar o crescimento do País", diz Francisco Galiza, economista diretor da Rating de Seguros, empresa especializada em desenvolver estudos do mercado segurador, e consultor do Prêmio Cobertura-Peformance.
Na avaliação de Acacio Queiroz, economista e presidente e CEO da Chubb Seguros, a expectativa mundial de redução de demanda por parte da China é de 20%; e o Brasil poderá ser afetado entre 10% e 15%. "Poderemos ter menos importação de máquinas e menos pessoas que trabalham com isso, o que diminuirá o Acidentes Pessoais e Vida, pois tudo o que influi na composição do índice de crescimento econômico de um país atinge diretamente a produção de seguros".
Entretanto, embora todos estejam atentos, Galiza acredita que é muito difícil frear o ritmo de crescimento em que o País ingressou e a indústria seguradora. "No geral, o mercado nos últimos anos tem mantido uma taxa de crescimento de 15% a 20% ao ano. A trajetória não mudou", observa.
A projeção de crescimento do setor de seguros em 2012 é estimada em torno de 12% e, para Queiroz, deverá ser puxada pelo Seguro Garantia, Vida, Acidentes Pessoais, Prestamistas e Garantia Estendida, além da expectativa de melhora na performance do automóvel.
"Há uma grande capacidade de seguro, apesar de crises e catástrofes naturais, e ainda enxergamos uma grande estabilidade na oferta de seguro para qualquer risco no mundo inteiro", analisa o diretor de Grandes Riscos da Marsh, Eduardo Takahashi.
Francisco Galiza, diretor da Rating de Seguros
Cenário desafiador
A fase mais obscura na zona do euro já passou, ou como define Acacio Queiroz, "o fogo na zona do euro já apagou". Entretanto, o executivo lembra que a situação econômica dos países na União Europeia vai perdurar, no mínimo, por 36 meses até voltar a crescer a um regime de 3% ao ano. "O País continuará a importar o mesmo de 2011. Já os EUA começa a mostrar revigoração econômica e é aqui que o Brasil tem de colocar suas fichas para aumentar as exportações", acrescenta.
Francisco Galiza reitera que a economia brasileira deve passar incólume por todo esse processo. "As pessoas estão otimistas. A impressão que se tem é a de que o pior já passou", observa o diretor da Rating, que cita pesquisa da McKinsey Quarterly realizada com dois mil executivos que aponta maior otimismo quanto a melhora da situação econômica em comparação a outubro de 2011.
Eduardo Takahashi menciona os alertas do Relatório de Riscos Globais 2012 do Fórum Econômico Mundial elaborado pela Marsh, que contextualiza a crise econômica nos Estados Unidos e na zona do euro. No item Riscos Econômicos, o trabalho adverte para a possibilidade de os desequilíbrios econômicos e a desigualdade social reverterem os avanços da globalização.
Para ele, embora a crise na Europa não afete o Brasil diretamente, demonstra a preocupação do ponto de vista de enfraquecimento dos Estados, fragilidade dos controles, o problema fiscal, o crescimento demográfico e os riscos aos quais é necessário atentar-se. "O estudo detecta que as crises demonstram a fragilidade dos Estados no controle e na governança que eles têm sobre esses assuntos", enfatiza.[2]
Eduardo Takahashi, diretor de Grandes Riscos da Marsh
Segundo o diretor da Marsh, o trabalho ainda traz uma série de alertas para que sejam desenvolvidos mecanismos de mitigação de risco mais eficientes tanto para o presente como para o futuro. "Essas informações vão fomentar cada vez mais a necessidade de proteção financeira, seja através de seguros, controles ou consultorias de gerenciamento de riscos e gestão de crise".
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