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Preços e escassez de áreas vagas dificultam obras


Fonte: Diário do Nordeste

Encontrar terrenos disponíveis e por preços atrativos é uma das principais dificuldades na hora de construir em Fortaleza. Nos últimos cinco anos, os terrenos da Capital cearense registraram uma significativa valorização, superando, em alguns casos, 100% do preço anterior. "Com o crescimento da economia, houve uma valorização grande, pois os preços estavam abaixo do valor de mercado. Os terrenos em Fortaleza e na região metropolitana eram muito baratos. Os preços hoje são compatíveis com o mercado do Nordeste e já estão ajustados, mas, quem comprou terreno antes e compra hoje sente uma diferença muito grande", avalia o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis (Sindimóveis), José Maria Cavalcante Lima.


Nas áreas nobres de Fortaleza, como nos bairros Aldeota e Meireles, é ainda mais difícil encontrar terrenos disponíveis para a construção FOTO: NATINHO RODRIGUES

Conforme José Maria, existe uma variação muito grande de preços de uma região para outra de Fortaleza. Em áreas mais nobres, como nos bairros Aldeota e Meireles, o presidente do Sindimóveis afirma que o m² gira em torno de R$ 5.000,00. Na Av. Washington Soares, o valor do m² é cerca de R$ 2.000,00 mil, já em algumas regiões da Lagoa Redonda, é possível encontrar terrenos custando R$ 500,00 o m². "Os preços variam muito dependendo da região, De um quarteirão para o outro, por exemplo, já existe grande diferença de preços", destaca.

Escassez

Além dos preços mais elevados, quem pretende construir enfrenta a dificuldade de encontrar áreas disponíveis na Capital. Segundo José Maria, existe uma "escassez total de terrenos" em Fortaleza, sobretudo em áreas nobres da cidade. A opinião é reforçada pelo tesoureiro do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante, para quem está cada vez mais difícil encontrar terrenos disponíveis em Fortaleza, o que ele considera normal. "A cada dia que passa, os terrenos estão mais escassos. Isso é natural em todo o Brasil. Na periferia, ainda existe muita coisa, mas os terrenos nobres estão ficando mais escassos", enfatiza.

Para o vice-presidente do Sindicato da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, além da dificuldade de encontrar áreas disponíveis, a especulação sobre os terrenos também dificulta a construção de empreendimentos, inclusive de habitações do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo Montenegro, das 16 mil unidades contratadas no Ceará pelo MCMV, até o momento, somente três mil são em Fortaleza.

Uma das soluções encontradas pelas construtoras para levantarem empreendimentos nas áreas mais nobres de Fortaleza é a aquisição de imóveis para darem espaço à construção de condomínios residenciais e comerciais, por exemplo. "As construtoras estão comprando casas e pequenos prédios para demolirem e construírem novos empreendimentos. Da mesma forma que ocorreu e continua ocorrendo em São Paulo e Rio de Janeiro", destaca Armando Cavalcante, acrescentando que isso encarece cerca de 20% o preço da área, quando comparado a um terreno semelhante, mas sem nenhuma construção.

Expansão para o Leste

Outra alternativa é a construção em outras regiões de Fortaleza, onde existe um número maior de terrenos disponíveis, e também da região metropolitana. Conforme Armando Cavalcante, Fortaleza está se expandindo para o lado Leste, na direção de bairros como Cidade dos Funcionários, Água Fria e Lagoa Redonda. "Pela dificuldade de encontrar terrenos, a cidade hoje cresce para todos os lados, para o subúrbio, onde os terrenos são mais acessíveis. Áreas como Maraponga, Mondubim e Siqueira estão entre as opções onde podem ser encontrados terrenos mais em conta", acrescenta André Montenegro.

No caso do Minha Casa, Minha Vida, o vice-presidente do Sinduscon acredita que uma possível solução seria a intervenção da Prefeitura e do Governo do Estado para desapropriarem áreas ou aportarem recursos.


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