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Fonte: RODRIGO CARVALHO
Em 14 de maio é comemorado o Dia Continental do Seguro, que foi estabelecido no ano de 1948, na cidade do México, durante a 2ª Conferência Hemisférica de Seguros. Com o objetivo de destacar o caráter universal da atividade seguradora, as comemorações do Dia Continental do Seguro acontecem por meio de entidades representativas em todos os países das Américas e também na Espanha. A data também tem o propósito de estimular a aproximação entre os profissionais de seguros, bem como a reflexão em torno da importância do mercado segurador não só para a economia, mas também para a sociedade em geral, no que tange a proteção de pessoas e patrimônios.
Em função dessa data especial, entrevistamos Roberto Dalla Vechia, diretor-executivo da AD Corretora de Seguros e especialista em diferentes ramos da atividade seguradora. Vechia fala sobre as particularidades e tendências do mercado segurador, o impacto dos seguros na economia e ainda apresenta as novas modalidades de apólices que despontam no mundo e, sobretudo, no Brasil. Confira a entrevista:
- Qual a principal importância do mercado segurador?
A principal importância do mercado segurador está em assumir o risco de seus clientes, por meio de contratos - apólices de seguro - que garantem a indenização do cliente caso o bem segurado sofra determinado dano estipulado na apólice.
- Qual é a principal importância dos seguros na vida das pessoas?
A proteção contra impactos financeiros causados por alguma eventualidade que venha gerar perdas significativas. A garantia de tranquilidade contra acontecimentos que não podem ser previstos, sem dúvida, é o maior benefício de se contratar um seguro.
- Qual a influência do mercado segurador no contexto social e econômico da atualidade?
Ao assumir os riscos causados por incertezas futuras na proteção de um indivíduo ou uma empresa, o mercado segurador exerce o seu papel fundamental no contexto social e econômico, trazendo além do bem-estar, o equilíbrio financeiro tão necessário para o desenvolvimento da economia.
- Qual o princípio básico de qualquer modalidade de seguro?
As diversas modalidades de seguros agrupam riscos da mesma natureza a que estão sujeitos indivíduos ou empresas, sistematizando e definindo coberturas que melhor venham atender às exposições aos riscos. O segurador tem a tarefa de garantir o tomador do seguro contra um risco que, por definição, tem que ser provável, mas, ao mesmo tempo, aleatório, isto é, sujeito ao acaso. A partir do conhecimento do número de vezes que determinado risco concretiza tem-se uma ideia muito aproximada da probabilidade de o mesmo voltar a ocorrer. Entre as modalidades mais comuns estão os seguros de Automóveis, Residências e Saúde, no entanto, o mercado segurador oferece uma larga variedade de seguros que atendem a diversas demandas e necessidades.
- Como o termo ‘mutualidade’ representa à atividade seguradora?
O fundamento da mutualidade representa o alicerce da atividade seguradora na medida em que ela reúne um grupo de pessoas com interesses comuns de proteção pessoal ou de seus bens por meio de um reserva econômica, tendo em vista a divisão dos riscos a que estão sujeitos.
- Quais as principais novidades e tendências em seguros? - Quais novos tipos de seguros despontam no Brasil e no mundo?
Com um cenário mundial em constantes transformações e em função da necessidade do bem-estar das pessoas, surgem, a todo instante, demandas para novas coberturas de seguros, bem como a inserção de novas cláusulas nos termos e condições existentes. Coberturas desenvolvidas mais recentemente no mercado mundial e que, aos poucos, vão chegando ao Brasil têm a haver principalmente com Riscos Ambientais e Riscos Cibernéticos. A exposição a esses riscos tem aumentado, o que alerta para perigos que podem abalar a saúde financeira das empresas ao redor do mundo.
- Por que alguns tipos de seguros, já comuns em outros países, ainda não são comercializados por aqui?
De forma geral, a abertura do mercado de Resseguros no Brasil, ocorrida em 2007, tem contribuído para que tenhamos a possibilidade de trazer mais rapidamente quaisquer melhorias e inovações em coberturas de seguros desenvolvida em outras partes do mundo. Há expectativas de crescimento para o novo segmento dos Microsseguros destinados a uma camada da população de baixa renda. Em função da natureza de suas atividades e do ambiente em que vivem, essa população é geralmente mais exposta a doenças, acidentes, mortes e a uma série de danos e perdas patrimoniais. O desenvolvimento de outras modalidades de seguro ainda carece de uma atenção mais próxima das autoridades governamentais. É o que caso do Seguro Rural, com a implantação de incentivos na contratação de tais seguros pelo produtor rural.
- Quais as perspectivas do mercado segurador mundial? E em relação ao Brasil?
Os mercados de seguros norte americano e europeu têm um cenário desafiador em 2014, especialmente em função das baixas taxas juros e da pressão por parte dos investidores em relação a resultados. Além disso, ainda há o impacto do atendimento às novas regulamentações do setor. Neste contexto, os países emergentes têm sido favorecidos e o Brasil continua a despertar o interesse do investidor internacional na aquisição e abertura de novas Companhias Seguradoras.
- Qual impacto do mercado segurador na economia mundial? E especificamente em relação à economia brasileira?
O mercado segurador desempenha um papel vital na economia mundial, principalmente em relação ao fornecimento de estabilidade em longo prazo e proteção financeira para os indivíduos e instituições afins. Para que se tenha o fiel cumprimento desse importante papel, mecanismos regulatórios foram criados, inclusive com a criação da ferramenta de Avaliação dos Próprios Riscos e Insolvência (ORSA - Own Risk of Solvency Assessment) como espinha dorsal do regime de Solvência II, que visa a aumentar a solidez das seguradoras e, em conseqüência, a confiança dos consumidores. Em relação ao Brasil, o mercado segurador brasileiro tem contribuído para a economia com um crescimento anual da receita de prêmios e uma elevação na participação do PIB conforme tabela abaixo:
Ano Receita Anual de %PIB
Prêmios
2010 115,9 3,07%
2011 135,3 3,27%
2012 163,6 3,72%
2013 181,1 3,78%
2014 202,0 ( Previsão ) 3,90% ( Previsão )
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