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Itaú leva primeiro fundo ao varejo japonês


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Fonte: Valor Econômico Online

Roberto Nishikawa, presidente da Itaú Securities: expectativa é que a carteira, que aplica em ações brasileiras, capte US$ 500 milhões até o fim do ano.
A partir desta semana, os investidores de varejo no Japão poderão investir seu dinheiro em um fundo que aplica 100% de seu patrimônio em ações brasileiras. O primeiro fundo de ações brasileiro distribuído a investidores japoneses de varejo é fruto de um acordo entre o Sumitomo Mitsui Banking Corporation, que fará a distribuição do produto, a Nikko Asset Management, que fará a gestão, e o Itaú, que é responsável por selecionar os papéis que irão compor a carteira. A data do lançamento foi escolhida a dedo: no dia 18 comemora-se o centenário da imigração japonesa no Brasil.

Segundo Roberto Nishikawa, presidente da Itaú Securities, a expectativa é que o Brazil Kabushiki Fund capte US$ 500 milhões neste ano. "Os japoneses estão acostumados a investir na Ásia, em países como China e Índia. Se o Brasil estivesse perto do Japão, o Ibovespa já teria batido 100 mil pontos", explica Nishikawa, que fala fluentemente o japonês e se prepara para abrir a primeira corretora brasileira em Tóquio. Há cerca de dez dias, o Banco Central autorizou um aumento de capital de US$ 15 milhões na Itaú Ásia Securities para custear a expansão e os recursos já foram remetidos. Hoje, no escritório de representação em Tóquio, aberto em 2004, trabalham seis pessoas. O responsável pela corretora, que foi contratado na semana passada, é asiático.

A estratégia do Itaú é entrar no mercado japonês em duas frentes. Com a corretora, que será aberta já no segundo semestre, o banco brasileiro vai buscar os investidores institucionais. Hoje, segundo Nishikawa, esse segmento tem US$ 3 trilhões em patrimônio, atrás apenas dos fundos de pensão e seguradoras dos Estados Unidos. Agora, com a parceria com a Nikko e o Sumitomo, o Itaú tenta atrair os investidores individuais, as pessoas físicas. "Para isso, precisamos de distribuição e por isso é importante ter parceiros locais. Queremos atrair parte dos US$ 7 trilhões que os japoneses têm em poupança, rendendo 0,3% ao ano." As negociações para o lançamento do fundo começaram em 2006 e o Itaú não revelou como serão divididas as receitas entre ele, o Sumitomo e a Nikko.

O Brazil Kabushiki (algo como ações de companhias abertas, em japonês) Fund vai ter como parâmetro de rentabilidade o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa). Mas a gestão será ativa, ou seja, o Itaú não se limitará a ter na carteira os papéis que compõem o índice. Para o diretor do Itaú, um dos fatores que devem contribuir para a captação no novo fundo é a performance da bolsa brasileira este ano, em comparação com as asiáticas. Aqui, a performance tem sido melhor, apesar da volatilidade. E os japoneses já conhecem algumas grandes empresas brasileiras, como a Vale do Rio Doce (que exporta para lá), a Petrobras e os grandes bancos.

O fundo lançado no Japão é o terceiro do Itaú no mercado asiático. O primeiro deles foi o Samba Brazil Fund Korea, em agosto de 2007, com foco em renda fixa e três carteiras diferentes. No fim de maio deste ano, lançou o Samba Latin America Equity Fund. A investida no mercado asiático faz parte de um movimento de internacionalização do banco. Além da corretora que abrirá no Japão, a Itaú Securities pretende inaugurar escritórios em Pequim (China) e Cingapura e, desde 2006, tem uma subsidiária em Hong Kong.


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