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Recessão econômica à vista


Fonte: SINCOR SP

Tendo atuado como colunista e membro do conselho editorial da Folha de S. Paulo, escrevendo por muitos anos sobre economia, nessa entrevista ao JCS, o jornalista Luis Nassif avalia que a situação econômica brasileira deve ter crescimento negativo no primeiro trimestre, de modo que os corretores devem ficar atentos com os índices de inadimplência, sobretudo no segmento corporativo. Em contrapartida, a opção pelo Simples é vista como um "belíssimo alívio" na carga tributária imposta à categoria.

JCS: Analisando o cenário econômico de hoje e pensando na macroeconomia em 2015, qual é a perspectiva para o País?

Luis Nassif: Economia desaquecida, provável PIB negativo no primeiro trimestre e alguma possibilidade de reversão a partir do final do ano.

JCS: Quais serão os principais desafios da nova equipe econômica de Dilma Rousseff?

LN: Compatibilizar ajuste fiscal com Selic elevada. Quanto maior a Selic, maior a necessidade de superávit fiscal e mais recursos tirados da economia real para sustentar os juros. O grande desafio será montar o quebra-cabeças sem jogar o País na recessão.

JCS: O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem se posicionado a favor de mudanças no IR para pessoas que têm renda através de pequenas empresas, ou seja, prestadores de serviços PJ. Como avalia a ideia?

LN: As últimas medidas de Levy indicam que o caminho perseguido será mais uma vez de jogar a conta nas pessoas físicas e nas empresas, poupando o mercado financeiro.

JCS: Quais são os principais aspectos ou fatores que devem figurar entre as preocupações dos empreendedores brasileiros em 2015, como é o caso dos corretores de seguros?

LN: Inadimplência, especialmente do segmento corporativo. Mas há um belíssimo alívio, ou seja, a opção pelo Simples Nacional, que certamente dará um novo fôlego às empresas do segmento. Pode ser o momento certo para investir no próprio negócio com base na economia proporcionada pela menor carga tributária.

JCS: O índice de confiança dos executivos de seguradoras, divulgado todo mês pela Fenacor, tem apontado pessimismo recorrente desde meados do ano passado. Como você vê o futuro da indústria de seguros no Brasil?

LN: Cada vez mais promissor, seja com as pessoas físicas que começam a entrar no mercado, seja com as grandes obras de infraestrutura que exigirão seguros sofisticados.

JCS: Você compra seguros? Na sua opinião, o que deve ser levado em conta na contratação de um seguro?

LN: Orientação do corretor, para saber a melhor combinação das diversas formas de proteção.

JCS: As vendas online são realidade em quase todos os segmentos da economia. No entanto, quando se trata de seguros, a experiência brasileira não tem avançado como previam os gurus da web. Mesmo grandes corretoras online fecham negócios com o contato físico na ponta. O que tem a dizer a respeito?

LN: Seguro exige confiança. A figura do corretor confere muito mais confiança no consumidor do que a venda online. De qualquer modo, é questão de tempo para o online se impor.

JCS: A previdência privada no ano passado oscilou com períodos de mais resgates do que investimentos. Qual é a sua perspectiva para 2015 do uso como investimento?

LN: Em tempos de vacas magras, as despesas correntes acabam por ter prioridade. Mas os consumidores estão aprendendo que a poupança de curto prazo deve ser administrada com aplicações de renda fixa. E a previdência privada deve ser preservada como poupança de longo prazo, até pela penalização no caso de saque antecipado.


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